domingo, 4 de novembro de 2012

Carta - São Paulo, 04 de Novembro de 2004

Olá meu amor,
Ontem esperei sua chegada debruçada na janela. Estava uma noite quente e havia algumas estrelas no céu.
Os barulhos da rua não me deixavam ouvir as batidas descompassadas do meu coração.
Faz tempo que você se foi e desde então, me coloco a tua espera. Espera esta que parece interminável porque não recebo noticias suas desde aquele evento do avião que invadiu as torres gêmeas. Faz tempo amor.Mesmo assim, estou aqui esperando.
Alguns amigos me disseram que eu deveria partir pra outra e descobrir novos rumos. Não consigo. Quando adormeço meus pensamentos são todos seus. Sonho contigo. Sinto seu abraço e seu beijo. Sinto seu cheiro, seu perfume. Como posso esquecer de você?
Quando acordo é pior porque percebo que tudo foi um sonho e você não está ao meu lado. Minha cabeça pesa e meu coração, ah, este nem um cardiologista poderá consertar.
Saio na rua e vejo tantas coisas que me fazem lembrar de você. Tantos lugares que fomos juntos. Nossas caricias. Nossas palavras. Está tudo gravado, impresso naqueles mesmos lugares. Eu devo estar louca.
Se estou sentada à mesa daquele restaurante que fomos algumas vezes, procuro o lugar que costumavamos sentar e rir. Rio sozinha lembrando de sua carinha. Choro sozinha também.
Amor, é dificil. Só sei te amar. Não consigo pensar em um dia deixar de sentir o que sinto por você, mesmo que hoje doa e que fique na espera da tua presença em minha vida de novo.
Amor, volta logo. Me dê noticias. Noticias acalmam a alma atormentada e quem sabe quando sonhar de novo com você eu possa ter a certeza de quando acordar você estará lá ao meu lado, como esteve um dia.
Amor, meus olhos estão molhados e não são estes olhos que quero que vejas, quero que vejas o brilho que sempre existiu quando você estava comigo.
Amor, te espero aqui de novo, sob a luz do luar. Volta pra mim.
Sua eternamente sua, Glorinha

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